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Perguntas e respostas sobre a depressão e a Ativação Comportamental

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A depressão é uma doença que ficará pior se não for tratada?

É uma visão popular considerar a depressão como uma doença, freqüentemente comparada a diabetes. Contudo, essa visão não é aceita por ninguém do campo comportamental da saúde. Aqueles profissionais que procuram uma explicação biológica consideram a depressão uma doença, e há alguns livros populares que promovem essa idéia, assim como programas na TV que enaltecem os medicamentos antidepressivos. Há poucos dados que suportam uma perspectiva puramente biológica da depressão. Isso não significa que a depressão é o mesmo que tristeza, ou que o problema não seja sério. Muitas pessoas que experienciam a depressão sofrem bastante, onde poderiam não sofrer tanto com a ajuda profissional.

 

A depressão é melhor vista como sendo uma síndrome ou uma compilação de padrões comportamentais. Algumas pessoas estão predispostas à depressão pela história da família, dentre outros fatores. Ter pais ou avós depressivos não somente transfere material genético, mas também modelos de enfrentamento para as dificuldades cotidianas que se tornam parte do repertório da pessoa. Uma perspectiva bio-psico-social da depressão considera a biologia, os padrões individuais de comportamento e as variáveis ambientais ao invés de qualquer um desses potenciais fatores causais isolados. Em outras palavras, o contexto inteiro da vida da pessoa é levado em conta em detrimento da atenção focada em uma área específica como a biologia ou o ambiente. Estatisticamente falando, em muitas pessoas a depressão dura seis meses ou menos e tem remissão espontânea, mesmo sem tratamento. Para outras a depressão pode durar anos e se tornar crônica.

 

É verdade que a pessoa que teve um episódio depressivo maior tem maiores probabilidades de ter o segundo, e após um segundo, a chance de um terceiro aumentará. Aproximadamente 60% das pessoas que tiveram depressão ficarão depressivas novamente. Alguns consideram isso uma evidência de que uma doença médica está ocorrendo. Contudo, o mesmo padrão foi encontrado para o divórcio. Um segundo casamento tem menor probabilidade de ter sucesso do que o primeiro, piorando no terceiro ao quarto,  sucessivamente. Ninguém concluiria daí que o divórcio é uma doença que se repetirá se não for tratado com medicamentos. Ao invés disso parece que esse é o caso em que certos padrões de comportamento e pensamento ocorrem e se tornam habituais, e porque as pessoas não consistem de mente e corpo separados, mas de um corpo físico incluindo cérebro e sistema nervoso central, as mudanças podem também ocorrer no cérebro em interação com os padrões comportamentais.  Tão logo a pessoa tenha experienciado um modo específico de enfrentar os eventos da vida, mesmo que isso a tenha deixado mal, poderá desenvolver um método de enfretamento.

 

Tratamentos para a depressão podem ajudar, promovendo estrutura e suporte que permitirão uma recuperação individual mais rápida.

 

O que causa a depressão?

Há diferentes visões do que causa a depressão. Como mencionado acima, a visão bio-psico-social considera a hereditariedade, os padrões comportamentais individuais e as variáveis ambientais como causas para o fato da pessoa ter se tornado depressiva. De uma perspectiva comportamental, o sentimento que alguém experiência após ter vivido algumas perdas, desapontamentos, dificuldades diárias com dinheiro, família, trabalho, dentre outras, são sentimentos naturais. As pessoas variam quanto ao seu nível de tolerância aos sentimentos negativos e na sensibilidade que têm a eles. Quando a vida não é recompensadora ou quando alguém tem que trabalhar muito por uma pequena recompensa, isso resulta em um sentimento de tristeza, perda do interesse por atividades e diminuição de energia. Quando alguém sente pouca energia, fadiga ou não tem interesse nas atividades é compreensível que a pessoa possa enfrentar isso dormindo longas horas, ficando em casa mais do que o usual ou se isolando dos amigos e das pessoas que lhe são queridas. Os eventos vitais ou os comportamentos que se seguem podem ter um impacto nas mudanças bioquímicas do corpo - a diminuição da atividade irá ter como conseqüência uma menor atividade e a pessoa pode começar a se sentir desamparada, focando em tudo o que está errado em sua vida. Isso tem sido referido como o círculo vicioso ou círculo “para baixo” da depressão.      

 

 

O que tem de errado em considerar a depressão como sendo uma doença?

A psiquiatria moderna descobriu muitos bons medicamentos que aliviam o sofrimento das pessoas que experienciam uma variedade de problemas. Ao mesmo tempo, a pesquisa psicológica e comportamental tem validado as metodologias das terapias que aliviam o sofrimento. A idéia de que a depressão é uma doença médica sugere que requer cura médica. Isso é mais do que uma questão semântica. Do ponto de vista psicológico há muito o que a pessoa pode fazer, freqüentemente sob ajuda de um profissional, além de tomar remédios para enfrentar e tratar a depressão. Medicações psicotrópicas normalmente não funcionam para todo mundo e algumas pessoas podem não tolerar os efeitos colaterais. A depressão pode ser considerada uma desordem comportamental que requer tratamento por um profissional de saúde mental. Mas há opções de tratamento, incluindo a medicação, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Psicoterapia Interpessoal (TIP) e a terapia de Ativação Comportamental (BA), sendo todas muito bem estudadas e validadas por ensaios clínicos randomizados. O problema de se pensar a depressão como uma doença é que isso implica que a pessoa depressiva esteja sem esperança nas garras de algo completamente incontrolável. Esse não é o caso pois a pessoa pode ter esperança de que mudando as atividades, as situações de vida e as antigas crenças sobre o self e o mundo, poderá ajudar a aliviar o sofrimento envolvido na depressão.

 

Para leituras adicionais, veja:

Antonuccio, D. W., Danton, W. G., & DeNelsky, G. Y. (1995). Psychotherapy versus medication for depression: Challenging the conventional wisdom with data. Professional Psychology: Research and Practice, 26(6), 574-585.

Valenstein, E. S. (1998). Blaming the brain: The truth about drugs and mental health. New York: Free Press.

 

Como eu sei que estou deprimido?

Problemas comportamentais de saúde não possuem fronteiras tão claras, a exemplo de doenças biológicas como um entupimento de artéria ou um osso quebrado. Os critérios diagnósticos mudam ao longo das décadas e são baseados na pesquisa e consenso de psiquiatras, psicólogos e outros pesquisadores/praticantes de saúde mental. Os diagnósticos são listados em uma publicação chamada de Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, que está em sua quarta edição:

 

American Psychiatric Association, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, (1994, 2000). Washington, D.C.: Author.

 

Comumente chamado de DSM-IV, o manual fornece os seguintes critérios para diagnosticar a depressão, considerando que cinco ou mais sintomas estiveram presentes em duas semanas consecutivas: (DSM-IV-TR, pp. 356)

 

  • humor deprimido a maior parte do dia e quase todos os dias;

  • perda de interesse ou satisfação em relação à maior parte das atividades a maior parte do dia e quase todos os dias;

  • perda ou aumento de peso significativos ou aumento ou perda de apetite quase todos os dias;

  • insônia ou hipersônia quase todos os dias;

  • agitação ou lentificação psicomotora quase todos os dias constatável pelos outros ;

  • fadiga ou perda de energia quase todos os dias;

  • falta de auto-estima ou sentimentos de inadequação e culpabilidade quase todos os dias;

  • capacidade intelectual ou de concentração diminuída quase todos os dias;

  • pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

Se você acha que está experienciando esses sintomas ou se os outros têm lhe falado que observam esses padrões, você deve considerar a procura de uma avaliação de um profissional de saúde comportamental licenciado. Seu clínico geral também poderá diagnosticar a depressão. Tenha em mente, contudo, que você tem opções relacionadas ao tratamento. Para algumas pessoas a medicação é uma solução simples, para outras a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Ativação Comportamental ou a Psicoterapia Interpessoal são as melhores opções. Para outras, ainda, a combinação da terapia com a medicação pode ajudar. 

 

A depressão é normal?

Há razões para todos os sentimentos e propensões comportamentais. Se nós não tivéssemos uma reação de pânico frente a situações perigosas nós não nunca iríamos fugir e talvez não sobrevivêssemos como espécie. Todos os sentimentos que são parte da depressão são normais no sentido de que são parte do repertório humano. Contudo somente em um mundo ideal eles não seriam problemáticos. Nós não vivemos em um mundo ideal, mas em um mundo repleto de violência, inadequações sociais, opressão, perdas e isolamento social. Na medida em que o mundo se tornou mais complexo nossas famílias estendidas se tornaram fragmentadas, os ciclos de sono foram quebrados e nós fomos desafiados por uma esmagadora possibilidade de escolhas. As taxas de depressão quase triplicaram desde a 2° Guerra Mundial. É possível que não apenas estejamos vivendo em um mundo menos do que o ideal mas também em um mundo que se tornou gradativamente um indutor da depressão.

 

Algumas pessoas acreditam que a depressão ou outros problemas comportamentais de saúde podem ter um impacto positivo sobre a criatividade. Artistas como Vincent Van Gogh, que foi diagnosticado com o transtorno maníaco-depressivo, são citados como exemplo. Ainda não há dados que sugiram que os artistas talentosos seriam menos criativos se tivessem seus problemas tratados. Algum nível de melancolia pode ajudar alguém a criar, mas quando a depressão se torna severa a ponto da pessoa ficar incapacitada de sair da cama ou se concentrar, é difícil dizer que a depressão é a condição necessária em que a criatividade aflora.    

 

Em que a terapia de Ativação Comportamental difere das outras formas de terapia?

A principal diferença entre o tratamento proposto pela Ativação Comportamental para a depressão e os outros tratamentos é que ela foca nos problemas que você está experienciando em sua vida no lugar de um problema com seus pensamentos ou sua biologia. Quando a depressão em si é considerada uma “condição normal”, ainda que não desejável, as reações depressivas na vida que trazem poucas recompensas são consideradas compreensíveis e não uma “falha” pessoal. A Ativação Comportamental primeiramente aborda a inércia que ocorre na depressão, ajudando você a iniciar o reengajamento na vida a despeito da falta de motivação ou sentimentos negativos.        

 

Eu não acho que estou deprimido, mas tenho problemas em fazer qualquer coisa. A Ativação Comportamental pode ajudar?

A Ativação Comportamental foi estudada empiricamente no tratamento da depressão e esse é o uso primário dessa terapia. Pequenos estudos vêm sendo feitos por alguns pesquisadores usando essa terapia em outros problemas, mas os dados ainda não estão disponíveis. Na medida em que o terapeuta Ativador Comportamental atua como um “treinador”, ajudando os clientes a quebrarem as tarefas em pequenos passos, atividades programadas poderiam ajudar aqueles que não estão depressivos mas têm problemas em realizar suas tarefas. Bons terapeutas BA encorajam seus clientes a experimentar os vários meios de realizar plenamente suas tarefas, estabelecendo objetivos semanais e estruturando os meios para alcançá-los.   

 

Se estou tomando remédio, eu ainda poderei optar pela Ativação Comportamental no tratamento da depressão?

Sim. O tratamento da Ativação Comportamental pode ajudá-lo no engajamento de atividades que você pode estar evitando e também pode abordar os problemas de sua vida com a ajuda do terapeuta quando somente a medicação não lhe ajudaria. Estudos vêm mostrando que a combinação da medicação e a terapia cognitivo-comportamental produzem bons resultados. Ainda que não tenha sido estudado o tratamento combinado com a Ativação Comportamental, a lógica sugere que resultados similares podem ser encontrados.

 

 

Fonte: Site do psicólogo pesquisador Christopher Martell, Ph.D, Universidade de Washington

Tradução: Paulo Abreu.

Comentários   

0 #6 IACC - Perguntas e respostas sobre a depressão e a Ativação Comportamental101 video games 15-10-2014 22:47
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0 #5 terapia em doença mentalClaudia 19-11-2013 17:07
no caso de esquizofrenia, a terapia comportamental tem resultados positivos? Como funciona? Quantas vezes por mês? Por favor esclareça dúvidas.
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0 #4 Casos difíceis de depressãoJuliana Helena 01-11-2013 13:42
Olá Ayron,

Sugiro que você procure na sua região algum psicólogo terapeuta comportamental competente. Normalmente a medicação sozinha não dá conta de tratar casos mais severos. È preciso associar a psicoterapia à medicação.

Cordialmente,
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0 #3 DúvidasAyron Vanderlei Andr 25-10-2013 17:03
Você pode me orientar o que fazer?
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0 #2 DúvidasAyron Vanderlei Andr 25-10-2013 17:02
Boa tarde,
Minha esposa é depressiva no entanto, ela não senti vontade de fazer nada,se senti muito para baixo, naõ tem animo algum, só quer ficar dormindo, ela procurou um psiquiatra aqui na nossa cidade "que quase não tem" e ele recomendou tomar Citlopran 2 vezes ao dia e dalmadorm a noite, pois ela se queixa que não dorme a noite apesar de passar o dia dormindo. não muito satisfeito com o tratamento aqui procuramos outro médico em outro estado, então ele associou ao dalmadorm a noite o Valdoxan e manteve o citalopran, no entanto ela teve uma melhora significativa no inicio e depois teve uma recaida então ela passou um email para o médico de outro estado ele sugeriu a substituição do citalopran pelo Cymbalta 60 mg, no entanto ela tomou durante 3 dias e não teve melhoras então resolvemos manter o tratamento do médico do nosso estado que ela fez uma modificação manteve o Citalopran e trocou o Dalmodorm pelo Amato.
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0 #1 sintomas da depressãodarcila 02-10-2013 12:25
é possível uma pessoa depressiva a muitos anos começar a ter uma perda significativa de cabelo devido ao problema? mesmo tomando os mesmos remédios á cerca de 3 anos?
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