| O aumento da onda de auto-mutilação em adolescentes |
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| Escrito por Paulo Abreu |
| Dom, 18 de Janeiro de 2009 14:32 |
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“Eu me sinto aliviado e menos ansioso após me cortar. A dor emocional vagarosamente se esvai em dor física.”
“É uma maneira de ter controle sobre meu corpo porque eu não consigo controlar mais nada em minha vida.”
“Isso expressa a dor emocional e os sentimentos que eu não consigo pôr em palavras.”
“Eu normalmente sinto como se tivesse um buraco negro no fundo do meu estômago. Pelo menos, se eu sinto dor é melhor do que não sentir nada.”
Há algumas razões que os jovens dão para o porquê de deliberadamente e repetidamente machucarem seus próprios corpos, um distúrbio caracterizado por ser um fenômeno difícil de tratar e que os especialistas dizem aumentar entre os adolescentes, colegiais e jovens adultos.
Especialistas alertam os pais, professores, amigos e profissionais a estarem alertas para os sinais desses comportamentos e não aceitá-los sem questionar as explicações espúrias sobre as lesões - como “eu me cortei na mesa da cozinha”, “ eu caí da escada” ou “meu gato me arranhou”.
Tão logo o comportamento seja detectado e tratado, afirmam os especialistas, é provável que mais rápido termine o problema, sem deixar cicatrizes físicas.
Não há números exatos para esse grande problema ainda escondido, mas pesquisas entre estudantes jovens sugerem que 17% deles já se auto-mutilaram e especialistas estimam que a auto-mutilação abrange praticamente 15% da população geral de adolescentes.
Os especialistas dizem que a auto-multilação é frequentemente uma resposta emocional e não uma tentativa de suicídio. Contudo o suicídio entre os auto-multiladores é uma preocupação.
A Associação de Saúde Mental do Canadá descreve o problema da seguinte forma: “Usualmente eles não estão tentando acabar com todos os sentimentos; estão tentando se sentir melhor. Sentem dor externa, não interna.”
Janis Whitlock, um psicólogo que entrevistou aproximadamente 40 pessoas com histórias de auto-multilação e que está participando de um estudo em oito centros relacionados, diz que a Internet está espalhando informações sobre auto-mutilação, incitando pessoas que de outra forma não teriam informação a respeito.
“Há um aumento crescente de adolescentes na Internet discutindo sobre como se cortar e como formar clubes sobre essa temática na escola”
As celebridades também têm contribuído para o aumento do problema. A princesa Diana, Johnny Depp, Angelina Jolie, Nicole Richie, Richie Edwards, Courtney Love e a vocalista do Garbage, no álbum “Bleed Like Me”, estão entre aqueles que confessaram ter se auto-multilado.
Auto-multilações comuns incluem cortar a pele, arranhar, queimar, arrancar ou puxar a pele ou cabelo, beliscar, bater, engolir doses sub-letais de substâncias tóxicas, bater a cabeça, enfiar agulhas ou quebrar os ossos. Os alvos usuais são os braços, pernas e dorso, áreas de fácil contato e também fáceis de serem escondidas sob a roupa.
A auto-multilação pode tornar-se um vício. Os especialistas argumentam que determinado comportamento pode ter sido reforçado com o lançamento no cérebro de endorfinas opióides que resultam em um alívio emocional alto e natural.
Dr. Whitlock, diretor do “Programa Cornell de Pesquisa sobre o Comportamento de Auto-Multilação em Adolescentes e Jovens Adultos”, disse em entrevista que a auto-multilação parace ter função de auto-regulação dos sentimentos, além de ajudar a pessoa a enfrentar as emoções negativas que não se dissipariam de outra forma”.
“Alguém com 13 anos pode ir até a Internet e instantaneamente encontrar uma comunidade adepta desse tipo de comportamento”, disse o Dr. Whitlock. “Quando não quiserem mais se auto-multilar, significa que terão que deixar a comunidade.”
A auto-multilação pode ser manipulativa, um esforço para que os outros cuidem da pessoa, sintam-se culpados ou a deixe em paz. Mais frequentemente, ela ocorre escondida. Auto-multiladores tentam esconder os ferimentos sob longas calças e longos casacos, mesmo em dias quentes. Podem também evitar atividades físicas como a natação.
Quem está vulnerável?
A auto-multilação frequentemente começa com as mudanças emocionais intensas da pré e começo da adolescência, podendo persistir até a idade adulta.
Ainda que a mulheres sejam mais frequentemente assistidas por profissionais, estudos indicam que o comportamento é praticado em igual proporção por homens. Nenhum grupo racial ou socioeconômico é mais vulnerável, ainda que a auto-multilação seja menos comum entre asiáticos e ásio-americanos, disse Dr. Whitlock.
Entrevistas com auto-multiladores mostraram que alguns fatores podem instalar e perpetuar o comportamento. Uma história de abuso sexual na infância, especialmente o abuso emocional, foi reportado por metade dos auto-multiladores ou mais. Alguns procuram alívio para a dor emocional. Outros infligem dor para punir a si mesmos pelo que percebem ter sido seu papel em permitir o abuso.
Baixa auto-estima é comum entre os auto-multiladores. Negligência na infância, isolamento social e condições instáveis de vida são citadas como fatores de risco. Em aproximadamente 25% dos auto-multiladores há uma história de transtorno alimentar, assim como abuso de álcool e sexo de risco.
As famílias dos auto-multiladores comumente suprimem as emoções negativas. As crianças crescem sem saber como expressar e lidar com sentimentos como o ódio ou a tristeza, direcionando a dor emocional para si.
Embora 60% dos auto-multiladores nunca tenha tido pensamentos suicidas, esse comportamento pode ser o gatilho para o comportamento suicida (ver texto Paulo). A auto-multilação pode também acidentalmente resultar em suicídio.
“Aqueles que se auto-multilam deveriam ser avaliados como suicidas em potencial”, disse o Dr. Whitlock. Há alguma evidência de que a auto-multilação é mais comum entre aqueles com famílias com histórico de suicídio. Alguns auto-multiladores sofrem também de problemas emocionais (tratáveis) como a depressão, o estresse pós-traumático ou o transtorno obsessivo-compulsivo.
A auto-multilação pode ser instalada por certos eventos como a rejeição por alguém importante, a sensação de estar errado ou ser culpado por algo de que a pessoa não tenha controle.
Tratamento
Ainda que não existam medicamentos que tratem a auto-multilação, drogas que tratam os problemas emocionais colaterais como a depressão e a ansiedade podem ajudar. Mais efetivo em geral é uma forma de terapia cognitivo-comportamental * chamada terapia comportamental dialética. Nela as pessoas aprendem habilidades que podem ajudá-las a tolerar o estresse, regular as emoções e melhorar seus relacionamentos.
A terapia pode também ajudar as pessoas a ver a si mesmas não como vítimas, mas como agentes poderosos, disse o Dr. Whitlock.
Em adição, os auto-multiladores podem aprender outras formas de aliviar o estresse, como a meditação ou o yoga, o engajamento em atividades físicas ou ainda o entretenimento com um amigo.
Alguns auto-multiladores notaram também que algumas vezes podem evitar o comportamento simplesmente fazendo outra coisa por alguns minutos quando o impulso aparece, disse o Dr. Whitlock.
Tradução - Paulo Abreu
* (nota do tradutor): a terapia comportamental dialética (DBT) é melhor reconhecida na literatura científica como sendo uma terapia comportamental contemporânea, não uma terapia cognitivo-comportamental (ver texto 2 Paulo). Foi inicialmente aplicada ao Transtorno de Personalidade Borderline, sendo hoje tida como seu tratamento de excelência.
Originalmente publicado no jornal The New York Times
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| Última atualização ( Sáb, 29 de Janeiro de 2011 09:43 ) |











A auto-multilação faz a pessoa se sentir parte de um grupo. Adolescentes que se auto-multilam frequentemente relatam que não existem adultos com quem poderiam conversar ou que iriam lhes aceitar da forma como são.
Comentários
Excelente pergunta! A pessoa que está passando por esse problema normalmente não se corta para chamar a atenção dos outros, embora o senso comum possa pensar isso.
Então, uma primeira dica muito importante - se quiser ajudar a sua amiga, tenha em mente que ela realmente está em intenso sofrimento, e que criticá-la por se cortar, ou tecer qualquer juízo moral, seria a pior ajuda que sua amiga poderia esperar de você.
Sua amiga precisa de suporte, um ouvido amigo e compreensivo. Como qualquer ser humano em sofrimento precisa nesse mundo!
E é claro, na medida do possível, incentive-a a procurar ajuda de um psicólogo comportamental competente.
Sugiro vcs procurarem ajuda, talvez com aquele amigo que você pode contar, ou então se você estiver com muita raiva de uma pessoa, escreva o nome dela numa folha e rasgue-a, ja fiz isso, e funcionou. Xoxo
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