canais iacc

  • Receba notícias de nossos cursos!


    Receber em HTML?

newsletter

acesso restrito

blog

Terapia Analítico-Comportamental para a Qualidade de Vida

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Twitter

A terapia analítico-comportamental é um trabalho que muitas vezes é associado unicamente ao tratamento de transtornos psiquiátricos, como a depressão, fobia, pânico, ou esquizofrenia. Essa é uma imagem complicada, pois não é só isso que fazemos. Certamente os dados positivos relacionados aos tratamentos comportamentais fomentaram essa imagem, principalmente por parte da mídia, que hoje vê nosso trabalho com bons olhos. Entretanto, via de regra, problemas dessa magnitude ocorrem na clínica em uma proporção menor. Hoje a informação levou um novo conceito de psicoterapia ao público, e muitas pessoas já procuram esses serviços para melhorar suas vidas.

 

Mas com que trabalha essa terapia afinal?

 

A terapia analítico-comportamental é oriunda de uma ciência chamada de Análise do Comportamento. Basicamente, desde que foi criada na década de 30, essa ciência tem se preocupado em descobrir e descrever os princípios básicos da aprendizagem das espécies, incluindo a nossa. São delineamentos de pesquisas historicamente desenvolvidos para responder as perguntas que há muito perseguem a humanidade, como por exemplo, por que as pessoas fazem o que fazem quando estão sob determinadas situações?

 

As respostas a essas perguntas vão muito além da utilidade clínica, ou estariam para muita além das preocupações com essa aplicação. A aprendizagem de novos comportamentos se faz necessária em quase todos os campos de interação humana. Deseja-se que as pessoas dirijam com responsabilidade, consumam de maneira sustentável, sejam solidárias umas com as outras, lutem pelas democracias, tenham boa qualificação para o trabalho, sejam pais habilidosos, etc. Ninguém nasce sabendo como se comportar, mas nas culturas, esses conhecimentos são valorizados, e por isso transmitidos entre gerações visto a sua utilidade prática. Trata-se muitas vezes de questões básicas de sobrevivência. Imagine se não tivéssemos progredido em nada em nosso conhecimento sobre como prevenir doenças infecto contagiosas, sobre como se comportar em momentos de crise econômica, ou ainda o que fazer para evitar desastres naturais. E é aí que pode entrar a ciência comportamental.

 

Basicamente a teoria comportamental é uma teoria da aprendizagem. Estuda-se como promover o ensino e a aprendizagem de novos comportamentos, nas mais variadas relações da pessoa com o seu mundo. Entendemos essa aprendizagem como sendo determinada pela bagagem genética da espécie, pela história particular de aprendizagem do indivíduo e pela cultura em que esse se desenvolveu. Negligenciar qualquer um desses contextos é para nós negligenciar uma boa análise comportamental.

 

A maioria dos clientes procura psicoterapia como suporte para o aprendizado de comportamentos que produzirão mudanças consistentes em seu meio. E as demandas são bastante comuns. Problemas conjugais, dificuldades em se conseguir amizades genuínas, projetos de carreira profissional, ou apreensões nos momentos de mudança na vida, como o casamento, a aposentadoria, o nascimento de um filho (ou a sua partida), a entrada na faculdade, escolha de um parceiro romântico, só para citar alguns.

 

Após iniciado o processo de terapia, logo os clientes redescobrem um fato bastante familiar, mas nem por isso menos desconcertante. Vários dos nossos comportamentos não correspondem com o projeto de vida que sonhamos para nós, e não conseguimos agir diferente por vários motivos! Mudança de comportamento não é fácil, daí a preocupação dos primeiros cientistas com o desenvolvimento de uma psicologia científica aplicada. Mas por que é tão difícil mudar sozinho? 

 

Às vezes porque não temos consciência do que seria uma conduta mais acertada, e mesmo que ela é possível dentre as possibilidades que a vida individual oferece. Ao longo das análises comportamentais junto ao cliente, já observei pessoas descobrindo que podem tentar empreender um novo ramo profissional, se dando conta de que é possível ser feliz com outra pessoa, ou mesmo aprendendo o que mudar para melhorar um casamento fragilizado.

 

Outras vezes os clientes sabem como deveriam se conduzir em determinada situação, têm habilidade para fazê-lo, mas são coagidas pelo outro a não agir diferente. Pessoas impedidas de tomar as suas próprias decisões, por não saberem como lidar com uma família controladora, ou funcionários coagidos a continuarem em um cargo aversivo, são alguns exemplos. Normalmente os indivíduos acabam desenvolvendo um repertório de esquivas dessas situações sociais aversivas. Isso se torna uma bola de neve, pois a passividade, embora mantenha momentaneamente a pessoa longe das encrencas, não resolve o problema a longo prazo. Na terapia a pessoa aprende a enfrentar esses desafios com estratégia. Infelizmente nossas práticas sociais são carregadas de interações aversivas, e o trabalho da psicoterapia pode ser também o de ter que lidar com os produtos emocionais de tudo isso.

 

Ainda, em muitas situações a pessoa sabe o que fazer, mas sempre apresenta comportamentos que nunca a levariam a atingir o objetivo desejado. É incompatível querer emagrecer, por exemplo, tendo como única fonte de prazer as saídas gastronômicas com o namorado, ou querer parar de beber, mas só saber interagir com os colegas dos bares da vida.

 

Enfim, coloquei aqui algumas situações correntes em que a aprendizagem de novos comportamentos, mais adaptativos, seria algo bem vindo para o bem estar. Não é o objetivo aqui esgotar as possibilidades, apenas ilustrar alguns problemas comuns.  

 

Na terapia a pessoa se descobre, testa, aprende e reaprende. Terapia é contexto inter-relacional para a aprendizagem. Não uma do tipo "tentativa e erro", mas com metodologia, estruturada, segura, e com começo, meio e fim. Para isso ela utiliza o melhor do que a tecnologia comportamental pode dispor. Alguns chamam isso de promoção da qualidade de vida. Outros chamam de promoção da saúde, enquanto um conceito mais amplo, diferente do tradicional “saúde=não doença”. Há ainda quem diga que a terapia é um contexto único de intenso contato emocional, pelo fato do cliente se sentir em conexão profunda com seus segredos, apreensões, medos, ou paixões! Para nós terapia é aprendizagem em sua forma mais pura, seja ela de habilidades, sentimentos ou auto-conhecimento.   

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar