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Mas e o comportamento digital?
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Escrito por Paulo Abreu   
Seg, 03 de Janeiro de 2011 19:25

O final de 2010 deixou-me espantado com o tanto de notícias que foram veiculadas sobre o Ipad da Apple. Outro fato tecnológico que tem se tornado bastante comum é encontrar as pessoas em minha academia utilizando algum smartphone. Arrisco dizer que essa cena tem se tornado a regra quando um celular repentinamente começa a tocar. Nunca a classe média consumiu tanta tecnologia.

 

Li hoje que a nossa nova presidente, Dilma Rousseff, reconhecidamente uma amante da tecnologia, pretende expandir o pacote do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) de "512 Kbps", negociando também tablets a preços populares de R$ 400 a R$ 500. Relatos datam o pioneirismo dela no uso de aparelhos laptop entre seus colegas políticos, e pasmem, atualmente com interface em Linux, e não o tradicional Windows. Pessoalmente, acho ótimo que a banda larga se universalize para os aproximados 80% da nossa população, conforme as previsões otimistas do governo. Anuncia ainda a nossa presidenta que essa é a sua segunda prioridade, estando somente atrás do programa Luz para a Todos. Em síntese, brasileiros, ricos ou pobres, serão consumidores de toda essa nova tecnologia, que parece não parar de evoluir.

 

Contudo às vezes parece que muito pouco da internet tem sido aproveitado, a despeito do aumento do acesso a rede – ainda que o número de laptops vendidos no Brasil já tenha ultrapassado o número de desktops nesse ano, ou de previsões de que os smartphones serão a via de acesso preferencial à internet até 2012, continua sendo bastante comum assistir nos lares e nas Lans pessoas acessando principalmente o Orkut, MSN ou Youtube, exatamente o que se fazia há quase 8 ou anos atrás (antes que alguém argumente, é ainda ínfima a utilização do Twitter entre os brasileiros). Variações desses sites são a exceção. Quando muito, a grande rede é usada para compras ou consulta da programação do cinema ao lado. A tecnologia evolui, mas nossos comportamentos para manusear toda essa tecnologia continuam bastante limitados. O comportamento digital não tem conseguido acompanhar a velocidade do lançamento dessas novas tecnologias.

 

Já me adiantando, isso não quer dizer que temos muitos milhões de neurônios que não foram plenamente acionados, mas que ainda não houve o desenvolvimento de metodologias de ensino eficazes, ou mesmo o interesse em ensinar a como minimamente aproveitar todo o potencial que a internet pode oferecer. Esse tipo de atenção, que é autêntico para áreas como a engenharia ou para a Análise do Comportamento, poderia ter como conseqüência a melhoria da produtividade no trabalho, um melhor aproveitamento dos estudantes e professores nas escolas e/ou universidades, e até dos empregados em suas empresas. As extraordinárias redes sociais e o entretenimento são apenas a ponta do iceberg no mundo digital. Mas o que existirá além disso? Alguém terá que ensinar.

 

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