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Escrito por Paulo Abreu
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Sáb, 26 de Novembro de 2011 11:45 |
 A capa da edição Revista Veja nº 2244 é bastante sugestiva para a área, especialmente quando pergunta “O que é ser normal?”. Trata-se de uma matéria que começa ressaltando os avanços da genética molecular, microscópios com acesso a nanoestruturas cerebrais, neuroquímica, neuroimagem, e tecnologias afins. O jornalista até que se esforçou em comentar o conceito de loucura ao longo da história, mas invariavelmente, terminou com o mesmo tom que começou o texto. Toda a discussão vai sendo conduzida de modo a sugerir ao leitor que a doença mental é normal e que acomete a maioria de nós, visto que a as investigações científicas estariam descobrindo dentro do organismo que todos temos problemas. Bom, muitos profissionais da área da saúde ficariam de cabelo em pé com essa afirmação. Pretendo rapidamente explicar as ideologias e a real ciência envolvidas nisso tudo, de forma a prevenir algumas possíveis consequências desse do discurso da “doença mental”. 1 . “Se não existe doença mental, o que existe então?”
Essa é uma questão mais complexa, pois o conceito de doença mental teve múltiplas determinações ao longo da história.
A medicina evoluiu categorizando as doenças, das quais se desejava conhecer a causa, com vistas a aplicar o tratamento adequado. Muitas doenças foram descobertas, e suas causas ou etiologia, foram gradativamente sendo conhecidas.
Com a psiquiatria foi diferente. Os grandes manuais diagnósticos da psiquiatria como o DSM IV ou o CID 10, bem da verdade, chamam os problemas como a depressão, a ansiedade ou a esquizofrenia, de transtornos ou síndromes, e não de doenças. Isso porque as síndromes, por não terem marcador biológico comprovado, são agrupadas unicamente com base no conjunto de sintomas.
2. “Mas esse não é o curso natural da evolução da medicina? Com as novas tecnologias não encontraremos as causas orgânicas?”
A
verdade nisso tudo: Em mais de 60 anos de existência da moderna psiquiatria (marcada pela descoberta do primeiro psicofármaco com efeito clínico atestado),
quase que nenhuma das chamadas doenças mentais teve causa orgânica comprovada. Doença é uma disfunção no organismo com causa etiológica muito bem definida, identificada por exames clínicos quase que de forma inequívoca. Febre tifóide é uma doença, causada pela bactéria Salmonella typhi; dengue é outra doença, causada pelo arbovírus da família Flaviviridae. Mas qual é a causa comprovada da depressão? Qual é o exame clínico que a detecta? Certamente a influência da indústria farmacêutica contribui enormemente para a disseminação da ideia de "doença orgânica que necessita de um tratamento medicamentoso", mesmo influenciando a publicação dos artigos em grandes revistas científicas, como afirma médica Marcia Angell, ex-editora-chefe do conceituadíssimo periódico científico The New England Journal of Medicine. Afirmar isso não é nenhum jargão, assim como afirmar que carros poluem o meio ambiente. O discurso da doença gera dinheiro, e isso é fato.
Na medicina como um todo, muitas doenças foram categorizadas inicialmente como sendo síndromes antes de ascenderem ao posto de patologia. Mas na psiquiatria, até agora isso não ocorreu. Os “mistérios do cérebro” têm sido um coringa que explica tudo, e que promete tudo. E falar superficialmente de neuroimagem, nanoestruturas cerebrais ou neuroquímica é algo sedutor, que a mídia desavisada (ou muito avisada, dado o sensacionalismo que provoca no público) rapidamente reproduz. Mas apesar de todo esse apelo, felizmente, muitos cientistas não entendem as neurociências dessa forma simplista. E aqui se encontram muitos psiquiatras críticos e psicólogos de orientação científica.
Na maioria das vezes nossa mídia entende que ciência é somente esse tipo de medicina reducionista, e que o contraponto não-científico “pensante” disso é a psicanálise, ainda que outras psicologias, de reconhecida tradição empírica científica, existam com enorme força em nosso país (um bom livro sobre o tema é o Livro Negro da Psicanálise). Felizmente o resto do mundo desenvolvido não pensa dessa forma – como os próprios Estados Unidos citados na matéria.
3. “Mas eu tenho depressão, e sei que doença mental existe sim porque só Deus sabe o quanto eu sofro!”.
O fato de não chamarmos a depressão de doença, por exemplo, não tem nada a ver com o reconhecimento de que essa realidade existe, e que causa enorme incapacitação e sofrimento. Mais do que isso, ela tem que ser tratada pelos especialistas competentes – psicólogos ou psiquiatras.
Mas você não sofre porque tem um problema no seu cérebro, e sim porque os acontecimentos atuais em sua vida, e/ou ao longo de sua história, levaram-lhe a atualmente a se sentir muito triste a maior parte do tempo.
A ciência comportamental, ao seu turno, em mais de 50 anos de pesquisas, provou que os problemas de comportamento são multideterminados, e assim nunca seriam de causa unicamente orgânica. Além da suscetibilidade genética, a história de aprendizagem e a cultura prestam enorme contribuição para o fenômeno. Afirmando isso, estou dizendo que tem campo de trabalho frutífero para a pesquisa de todas as áreas interessadas envolvidas.
4. “Eu tomo o remédio e ele funciona, por isso atesto que a causa do meu transtorno de ansiedade é mesmo orgânica”.
Os remédios psiquiátricos foram uma grande aquisição da ciência. E a realização de agrupamentos sindrômicos permite que se pesquise classes de medicamentos para transtornos específicos. Assim, quando prescritos de forma criteriosa e responsável, são um excelente arsenal terapêutico que o clínico pode contar. Mas porque um remédio ansiolítico funciona, não quer dizer que a causa seja um problema neuroquímico no seu cérebro. O problema está na sua relação com o mundo, e o que acontece no seu cérebro em nível metabólico, é consequência disso tudo, e não a causa. A título de comparação, um remédio antigripal ajuda muito na gripe, mas não quer dizer que ele atue na causa da gripe.
5. “Mas então qual é a causa das síndromes?” Para cada caso, as determinações serão sempre particulares. Dois casos de depressão nunca terão a mesma causa. Nossa bagagem genética, história de aprendizagem e cultura são diferentes, sempre singulares.
6. “Se é assim, não existiria um tratamento confiável?” Existe sim. As terapias comportamentais e cognitivas, e alguns remédios psiquiátricos, apresentam resultados bastante animadores em centenas de pesquisas realizadas em todo o mundo. Dadas práticas em psicologia e psiquiatria têm sido chamadas de práticas baseadas em evidências.
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XXI Encontro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental em Curitiba |
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Escrito por Paulo Abreu
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Seg, 26 de Setembro de 2011 19:39 |
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Confirmado hoje pela diretoria da ABPMC: o XXI Encontro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental será em CURITIBA, de 15 A 18 de agosto de 2012! O encontro anual reune profisisionais de psicologia e medicina interessados nos avanços das terapias analítico-comportamentais e cognitivo-comportamentais. É o maior evento da área no país. E um enorme orgulho para todos os curitibanos analistas do comportamento!
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Última atualização ( Dom, 13 de Novembro de 2011 21:11 )
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Terapia Analítico-Comportamental para a Qualidade de Vida |
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Escrito por Paulo Abreu
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Sáb, 23 de Julho de 2011 12:58 |
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A terapia analítico-comportamental é um trabalho que muitas vezes é associado unicamente ao tratamento de transtornos psiquiátricos, como a depressão, fobia, pânico, ou esquizofrenia. Essa é uma imagem complicada, pois não é só isso que fazemos. Certamente os dados positivos relacionados aos tratamentos comportamentais fomentaram essa imagem, principalmente por parte da mídia, que hoje vê nosso trabalho com bons olhos. Entretanto, via de regra, problemas dessa magnitude ocorrem na clínica em uma proporção menor. Hoje a informação levou um novo conceito de psicoterapia ao público, e muitas pessoas já procuram esses serviços para melhorar suas vidas. Mas com que trabalha essa terapia afinal? A terapia analítico-comportamental é oriunda de uma ciência chamada de Análise do Comportamento. Basicamente, desde que foi criada na década de 30, essa ciência tem se preocupado em descobrir e descrever os princípios básicos da aprendizagem das espécies, incluindo a nossa. São delineamentos de pesquisas historicamente desenvolvidos para responder as perguntas que há muito perseguem a humanidade, como por exemplo, por que as pessoas fazem o que fazem quando estão sob determinadas situações? As respostas a essas perguntas vão muito além da utilidade clínica, ou estariam para muita além das preocupações com essa aplicação. A aprendizagem de novos comportamentos se faz necessária em quase todos os campos de interação humana. Deseja-se que as pessoas dirijam com responsabilidade, consumam de maneira sustentável, sejam solidárias umas com as outras, lutem pelas democracias, tenham boa qualificação para o trabalho, sejam pais habilidosos, etc. Ninguém nasce sabendo como se comportar, mas nas culturas, esses conhecimentos são valorizados, e por isso transmitidos entre gerações visto a sua utilidade prática. Trata-se muitas vezes de questões básicas de sobrevivência. Imagine se não tivéssemos progredido em nada em nosso conhecimento sobre como prevenir doenças infecto contagiosas, sobre como se comportar em momentos de crise econômica, ou ainda o que fazer para evitar desastres naturais. E é aí que pode entrar a ciência comportamental. Basicamente a teoria comportamental é uma teoria da aprendizagem. Estuda-se como promover o ensino e a aprendizagem de novos comportamentos, nas mais variadas relações da pessoa com o seu mundo. Entendemos essa aprendizagem como sendo determinada pela bagagem genética da espécie, pela história particular de aprendizagem do indivíduo e pela cultura em que esse se desenvolveu. Negligenciar qualquer um desses contextos é para nós negligenciar uma boa análise comportamental. A maioria dos clientes procura psicoterapia como suporte para o aprendizado de comportamentos que produzirão mudanças consistentes em seu meio. E as demandas são bastante comuns. Problemas conjugais, dificuldades em se conseguir amizades genuínas, projetos de carreira profissional, ou apreensões nos momentos de mudança na vida, como o casamento, a aposentadoria, o nascimento de um filho (ou a sua partida), a entrada na faculdade, escolha de um parceiro romântico, só para citar alguns. Após iniciado o processo de terapia, logo os clientes redescobrem um fato bastante familiar, mas nem por isso menos desconcertante. Vários dos nossos comportamentos não correspondem com o projeto de vida que sonhamos para nós, e não conseguimos agir diferente por vários motivos! Mudança de comportamento não é fácil, daí a preocupação dos primeiros cientistas com o desenvolvimento de uma psicologia científica aplicada. Mas por que é tão difícil mudar sozinho? Às vezes porque não temos consciência do que seria uma conduta mais acertada, e mesmo que ela é possível dentre as possibilidades que a vida individual oferece. Ao longo das análises comportamentais junto ao cliente, já observei pessoas descobrindo que podem tentar empreender um novo ramo profissional, se dando conta de que é possível ser feliz com outra pessoa, ou mesmo aprendendo o que mudar para melhorar um casamento fragilizado. Outras vezes os clientes sabem como deveriam se conduzir em determinada situação, têm habilidade para fazê-lo, mas são coagidas pelo outro a não agir diferente. Pessoas impedidas de tomar as suas próprias decisões, por não saberem como lidar com uma família controladora, ou funcionários coagidos a continuarem em um cargo aversivo, são alguns exemplos. Normalmente os indivíduos acabam desenvolvendo um repertório de esquivas dessas situações sociais aversivas. Isso se torna uma bola de neve, pois a passividade, embora mantenha momentaneamente a pessoa longe das encrencas, não resolve o problema a longo prazo. Na terapia a pessoa aprende a enfrentar esses desafios com estratégia. Infelizmente nossas práticas sociais são carregadas de interações aversivas, e o trabalho da psicoterapia pode ser também o de ter que lidar com os produtos emocionais de tudo isso. Ainda, em muitas situações a pessoa sabe o que fazer, mas sempre apresenta comportamentos que nunca a levariam a atingir o objetivo desejado. É incompatível querer emagrecer, por exemplo, tendo como única fonte de prazer as saídas gastronômicas com o namorado, ou querer parar de beber, mas só saber interagir com os colegas dos bares da vida. Enfim, coloquei aqui algumas situações correntes em que a aprendizagem de novos comportamentos, mais adaptativos, seria algo bem vindo para o bem estar. Não é o objetivo aqui esgotar as possibilidades, apenas ilustrar alguns problemas comuns. Na terapia a pessoa se descobre, testa, aprende e reaprende. Terapia é contexto inter-relacional para a aprendizagem. Não uma do tipo "tentativa e erro", mas com metodologia, estruturada, segura, e com começo, meio e fim. Para isso ela utiliza o melhor do que a tecnologia comportamental pode dispor. Alguns chamam isso de promoção da qualidade de vida. Outros chamam de promoção da saúde, enquanto um conceito mais amplo, diferente do tradicional “saúde=não doença”. Há ainda quem diga que a terapia é um contexto único de intenso contato emocional, pelo fato do cliente se sentir em conexão profunda com seus segredos, apreensões, medos, ou paixões! Para nós terapia é aprendizagem em sua forma mais pura, seja ela de habilidades, sentimentos ou auto-conhecimento.
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O Internamento Compulsório dos Dependentes de Crack |
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Escrito por Paulo Abreu
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Qui, 30 de Junho de 2011 20:03 |
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Impossível não atentarmos para as novas notícias que, de tão polêmicas, causam falta de consenso mesmo entre os especialistas. O internamento compulsório dos dependentes de crack no Rio de Janeiro e em São Paulo traz a tona uma motivação social nada nobre - a máxima de que o ideal seria o estado tirar os dependentes das cracolândias e interná-los contra a vontade. Justificam os governantes que essa é uma questão de saúde pública, e não uma penal. Bem da verdade é que a internação não recupera nem 5 % dos internados, conforme apontam as pesquisas em vários cantos do globo. A ciência é unânime em denunciar o fracasso do modelo do internamento para os dependentes químicos. Por outro lado, o tratamento ambulatorial ou via Centros de Atenção Psicosocial (CAPS-AD), de álcool e drogas, ainda que apresentem dados não tão superiores, parecem oferecer melhores perspectivas. Em termos comportamentais, qualquer tratamento terapêutico que almeje algum sucesso precisaria servir como contexto para o desenvolvimento de novos comportamentos. E para isso é necessário não tirar o paciente do seu ambiente natural, do lugar em que terá que aprender a lidar com as fissuras pela droga ou com os novos desafios que se interporão. A título de exemplo, é do conhecimento de muitos que o dependente terá o desafio de aprender a conviver com novos grupos de pares, desenvolvendo habilidades sociais e interesses diferentes dos relacionados à droga. A reestruturação de uma vida abalada envolve também a procura de afazeres ocupacionais, como o trabalho remunerado, empreendimento que por si só, já ofereceria regularidade de atividades ao longo do dia. Conseguir que a pessoa desenvolva a satisfação por essa e outras atividades, como as envolvidas no lazer, esporte ou cultura, envolverá a programação sistemática de contextos para a interação da pessoa com o seu mundo. Esse é o trabalho terapêutico que as equipes multidisciplinares têm que realizar. A descoberta de novos valores ou objetivos de vida acontece como produto de todo esse processo. Se tiro a pessoa de seu ambiente, não tem como o paciente desenvolver qualquer um desses novos comportamentos, pois acabo lhe privando de viver no contexto em que seus problemas ocorrem – ninguém vai consumir o crack internado dentro de uma clínica (ou ao menos não deveria), mas sim nas ruas. Logo a justificativa para o internamento, com base no discurso da desintoxicação, é uma muito fraca. Não que não seja necessário o acompanhamento médico das síndromes de abstinência. Mas a forma como é feita no internamento é que é o entrave. A desintoxicação é algo bastante aversivo para o paciente. Agora, soma-se a isso, ter que fazer de maneira compulsória, imposta por outro! O resultado disso tudo é o que o dependente nunca mais irá sequer querer ouvir falar de tratamento. Mudemos então de questão. Já sabemos de antemão que, definitivamente, o internamento, infelizmente, não vai tirar ninguém do crack. Nem o meu, nem o seu, e nem o filho de ninguém. A pergunta deveria ser outra então, como a de “quem ganha com o internamento forçado”? Quantias cada vez mais vultosas destinadas a sanar o problema do crack vão enriquecer os profissionais que insistem no discurso do internamento. Mas o fato é que a revitalização urbana das cracolândias é uma coisa que muitos desejam, sobretudo os comerciantes vizinhos que tiveram seus negócios prejudicados. Não estou aqui contestando as mazelas sócio-econômicas que essas áreas trazem para a cidade e para os cidadãos. Crimes e violência são uma realidade. Certamente elas têm que ser abordadas com a devida seriedade, e os envolvidos precisam responder pelos seus delitos como qualquer outro cidadão. Não é o caso de condenar o uso da droga pela droga, mas sim os comportamentos infratores envolvidos. Mas daí, novamente, estaríamos falando de uma outra coisa, não da esfera da saúde. Precisamos de transparência no porquês das decisões governamentais. A associação arbitrária com a bandeira da saúde parece ser um problema. O discurso do tratamento da doença vem obscurecendo a real motivação para o internamento compulsório. Dessa forma, mobiliza-se a opinião pública que acaba comprando uma causa de maneira desinformada. Alguém aí notou alguma familiaridade com a propaganda veiculada pelos antigos manicômios, aqueles lugares em que eram despejados os excluídos sociais? Eram prostitutas, bêbados, bandidos, etc. Basaglia e Foucault não me deixariam mentir. Afirmar esse fato já não é nenhuma extravagância. Mas então por que insistir nisso? Seria talvez mais sensato separarmos os discursos, ou melhor, os problemas. Saúde do social. Problemas de saúde pública deverão ser regidos pela ciência preocupada com a efetividade de seus tratamentos. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa, é outra coisa. Saúde não pode ser o elemento “laranja” das políticas públicas.
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Escrito por Paulo Abreu
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Ter, 21 de Junho de 2011 21:54 |
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Ativação Comportamental na Depressão Clínica |
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Escrito por Paulo Abreu
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Sex, 03 de Junho de 2011 00:00 |
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Depressão é um problema que pode ser um círculo vicioso para muitas pessoas. Você pode estar experienciando a depressão pela primeira vez ou pode já a estar experienciando há muitos anos. A depressão pode ser sentida como se você tivesse uma doença. Terapia de Ativação Para a Depressão COMEÇANDO A TERAPIA DE ATIVAÇÃO PARA A DEPRESSÃO 1, 2
Depressão é um problema que pode ser um círculo vicioso para muitas pessoas. Você pode estar experienciando a depressão pela primeira vez ou pode já a estar experienciando há muitos anos. A depressão pode ser sentida como se você tivesse uma doença. Os sintomas da depressão são: sentir-se “lento” mentalmente e fisicamente, ficar cansado com facilidade, ter sentimentos de culpa e auto-reprovação, tristeza. À medida que você se sente depressivo você faz menos e menos e culpa a si mesmo por estar agindo dessa maneira. Como se torna mais difícil fazer as coisas, você se torna mais e mais depressivo. Ainda que a depressão tenha sido chamada de a “gripe” dos problemas psicológicos, é importante frisar que sua depressão não é o resultado de algum defeito pessoal ou um processo de uma doença mental. A depressão é frequentemente um sinal de que alguma coisa deve ser mudada em sua vida. A maioria das pessoas consegue reconhecer alguns incidentes ou uma série de incidentes que foram o gatilho para o surgimento de sua depressão. Alguns incidentes são relacionados à perda de um amor próximo, a perda de um sonho, poucas conquistas, dificuldades diárias que parecem irremediáveis e dificuldades de relacionamento. Quando as pessoas ficam depressivas, ao invés de mudar as situações que poderiam levá-las a se sentir melhor, tentam “sumir” e evitar o mundo. Gradualmente a depressão se torna pior e não somente os problemas situacionais mas a própria depressão em si passa a se tornar um problema. É nesse ponto que muitas pessoas entram em terapia. ENFRENTANDO O PROBLEMA Alguns diferentes tratamentos para a depressão vêm sendo desenvolvidos. Um tratamento efetivo é chamado de Ativação Comportamental. Com seu terapeuta você vai trabalhar para quebrar o ciclo da depressão através do engajamento em atividades que melhorarão sua produtividade e seu humor. Contudo, você não vai se engajar em qualquer atividade. Seu terapeuta irá ajudá-lo a identificar e a perseguir as circunstâncias que têm relação com a sua depressão: ações em sua vida que você parou de se ter desde que se tornou depressivo mas gostaria de se envolver novamente, ações que você teve para evitar o mundo e os outros ao seu redor, as principais situações que você gostaria de mudar com o objetivo de viver uma vida mais produtiva. Seu terapeuta, em comum acordo, trabalhará guiando suas atividades em direção a objetivos específicos que irão ajudá-lo a enfrentar sua depressão e a viver uma vida mais satisfatória. Não é possível mudar as situações em sua vida que lhe levaram a depressão sem primeiramente interromper o processo de evitação e inatividade em que você caiu desde que começou a se sentir depressivo. Você pode quebrar o ciclo da depressão através da atividade guiada. Atividade é mais do que “apenas faça isso”, de acordo com o senso comum corrente. Quando as pessoas se sentem deprimidas, fazer as coisas que manteriam a vida correndo bem soa como algo difícil, se não impossível. Por isso é bom ter um “treinador” ou um “guia” na pessoa do seu terapeuta. As atividades que são significativas para você e para a sua vida é o que é importante. Por exemplo, uma pessoa pode gostar de viver em um ambiente limpo, mas sente-se muito deprimida para lavar a louça. Se lavar os pratos, não importando como ela se sente, ainda se sentirá triste, mas terá tido uma importante melhora porque sua casa estará limpa. De outra forma, uma mulher que tem um chefe rígido que estipula demandas nada razoáveis, pode se omitir e não defender suas idéias. Promover a assertividade em relação ao chefe pode ser uma atividade que lhe beneficiará. As atividades na Ativação Comportamental são variadas e seu terapeuta irá lhe ajudar a encontrar as atividades certas que têm chance de ajudar a aliviar a depressão ou fazer você se sentir com mais controle sobre a sua vida.
As vantagens de se tornar ativo, a despeito dos sentimentos depressivos, são claras. Atividades guiadas podem levar à melhora de humor. Ativando você mesmo, não importando a depressão, pode lhe dar um senso de controle sobre sua vida. Você pode achar que algumas atividades são agradáveis se tentá-las, mesmo se inicialmente tiver achado que nada poderia trazer satisfação. Mesmo aquelas atividades que não são agradáveis podem lhe dar um senso de conquista de algo que valeu a pena. Atividades guiadas podem quebrar o ciclo da fadiga. Freqüentemente quando as pessoas estão deprimidas elas se sentem cansadas e esgotadas. Este pode ser uma maneira de evitar o mundo. Paradoxalmente, ficar na cama e tirar “um sono extra” frequentemente resulta em um maior cansaço. Atividades guiadas, ainda que você se sinta bastante cansado, podem fazer você se sentir “energizado” e “renovado”. Esse é um efeito oposto a quando você está depressivo e se sente cansado por outra razão. Por exemplo, quando se está depressivo, se você se engajar em atividades como os afazeres domésticos, poderá finalizar se sentindo bem pela tarefa cumprida e “energizado” para as outras atividades. Por outro lado se não está depressivo, mas esteve trabalhando por muitas horas necessitando tirar um tempo livre, iniciar um serviço doméstico o deixará mais cansado, pois seu corpo estará lhe dizendo que precisa descansar. Quando se está depressivo, mesmo quando seu corpo lhe diz que precisa descansar, você precisa se ativar. Atividades guiadas podem levá-lo a se sentir motivado. Muitas pessoas que estão depressivas pensam que “apenas precisam se tornar mais motivadas”, mas os sintomas da depressão bloqueiam essa motivação. Portanto se a pessoa espera se tornar motivada, ela espera em vão. Ironicamente, o engajamento em atividade mesmo quando você se sente desmotivado em fazê-lo, pode lhe tornar motivado. Nós chamamos esse trabalho “de-fora-para-dentro”. Em outras palavras, você não espera se sentir como se estivesse fazendo algo antes de fazê-lo, ao contrário, você se engaja em uma atividade porque tem um compromisso. O engajamento em uma atividade quando se está depressivo não é fácil. Pode ser difícil para você organizar seu tempo adequadamente ou se envolver em atividades que normalmente gosta. Algumas vezes uma atividade se torna tão difícil quando se está depressivo que até as coisas básicas se tornam difíceis. Seu terapeuta entende isso e irá trabalhar para ajudá-lo a reconhecer as coisas que o colocam em direção à ativação, ajudando-o a contornar os obstáculos. O tratamento irá ajudar a contornar os problemas em sua vida que inibem sua atividade produtiva. Você irá aprender a como monitorar sua vida, a olhar para as atividades diárias como se fosse um “rico tapete”. Você irá aprender como certos sentimentos estão entrelaçados a certas atividades. Irá aprender a como aumentar as atividades que o deixam se sentindo melhor. Atividades orientadas para a melhoria da qualidade de vida farão você se sentir menos depressivo porque lhe trarão mais satisfação, ou porque simplesmente você se sentirá mais produtivo e no controle das coisas. Seu terapeuta irá ensiná-lo a como planejar as atividades, como reconhecer as barreiras que inibem a atividade produtiva e como incorporar novas atividades na rotina de modo que elas venham a se tornar novos hábitos que melhorarão a qualidade de vida. Seu terapeuta irá orientá-lo no uso da “agenda de eventos diários” e no uso do “roteiro de atividades” que irá lhe ajudar nesse processo. Você será convidado a continuar o trabalho iniciado em sessão durante a semana entre sessões. Você e seu terapeuta irão definir as atividades que irão somar ao processo de se tornar mais ativo. Seu terapeuta será o seu guia. Ao final você poderá concluir que o “se tornar ativado” como uma forma de enfrentar a depressão pode operar mais eficientemente no mundo e que sua vida começou a “entrar nos eixos”. Dar o primeiro passo e vir à terapia foi sua primeira atividade guiada. Os outros passos serão mais fáceis do que você imagina. 1. Martell, C. R., Addis, M. E., & Jacobson, N. S. (2001). Depression in context: strategies for guided action. New York: W. W. Norton. 2 Tradução organizada por Paulo Abreu .
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Relações Comportamentais no Autismo |
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Escrito por Paulo Abreu
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Sex, 29 de Abril de 2011 19:13 |
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Ontem no caderno Equilíbrio e Saúde da Folha foi publicada uma matéria comunicando os benefícios em se diagnosticar o autismo precocemente em bebês de até 12 meses. A matéria sabidamente trouxe ao conhecimento do público brasileiro os resultados de uma pesquisa publicada recentemente no Journal of Pediatrics, importante revista científica com pesquisas na área. O motivo da importância do diagnóstico precoce – em sendo logo constatado o problema, a criança diagnosticada seria então submetida mais rapidamente à terapia comportamental, cujos procedimentos baseados em evidências têm sido referenciados como o tratamento de escolha. Por um lado fiquei bastante satisfeito por ler uma matéria de saúde mental que de fato se ateve aos dados. Mas me chamou a atenção o componente ativo da terapia comportamental apontado pelo jornalista – “ela estimula as áreas do cérebro afetadas”. Ou seja, o trabalho da análise aplicada comportamental, sob esse prisma, seria reduzida apenas a “estimular o cérebro”. Fico encasquetado me perguntando o que se entende por “estimulação cerebral” - e confesso que tenho medo de perguntar pelo que viria como resposta! O fato é que ninguém consultou um psicólogo da área, ainda que dado tratamento nos diga à respeito. Acredito que esse viés do jornalista ocorreu pelo fato da revista Pediatrics estar hospedada dentro da ceara mais ampla da medicina, a pediatria, ou devido à opinião de algum médico psiquiatra consultado. Mas vamos as correções: Os principais problemas do autismo são notadamente a dificuldade de socialização e a linguagem comprometida. Na linguagem, em especial, uma abordagem neurocientífica estudaria as relações do cérebro e outros processos neurológicos. Esses tipos de investigações poderiam, por exemplo, demonstrar correlações fisiológicas entre os comportamentos de falante e ouvinte de uma criança submetida à Ressonância Magnética Funcional. Contudo, nesse exame, a observação do consumo de glicose nas áreas cerebrais não explicaria os contextos em que o comportamento verbal da criança ocorre. Todo comportamento tem correlatos orgânicos, mas somos organismos em interação com o ambiente. As determinações do que fazemos se encontram na nossa história e nas circunstâncias ambientais, sobretudo as sociais, nas quais nos comportamos. Ninguém explicaria a habilidade do Pelé para o futebol a partir dos movimentos dos músculos e tendões de suas pernas – contrariamente, optamos por lembrar do histórico de treinos e jogos, especialmente os das copas de 58, 62 e 70! Genética e fisiologia estão ligadas a produção das atividades motoras, mas se as condições suficientes e adequadas para a aprendizagem não tivessem acontecido, Pelé não faria gols. Redefinindo o trabalho do terapeuta comportamental para os pais: no déficit de linguagem, por exemplo, as terapias funcionam por serem constituídas de procedimentos cientificamente validados para o ensino sistemático do comportamento verbal. Estamos particularmente preocupados em desenvolver situações propícias para o ensino/aprendizagem de habilidades verbais, desde as mais simples até as complexas. Os dados presentes até o momento mostram que mesmo cérebros lesionados podem ser modificados anátomo-fisiológicamente se as intervenções ambientais forem intensivas e planejadas. A ciência do comportamento está preocupada com as intervenções ambientais, promovendo novas relações do autista como o seu mundo. Modificações no cérebro são as conseqüências dessas novas relações comportamentais, mas nunca a causa.
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Uma nova análise sobre a efetividade dos tratamentos no autismo |
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Escrito por Paulo Abreu
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Ter, 12 de Abril de 2011 21:20 |
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De acordo com três revisões de literatura, publicadas recentemente na revista científica Pediatrics, no autismo a medicação tem ajudado muito pouco. As terapias comportamentais intensivas continuam a ser os tratamentos mais efetivos, ainda que nem todos os pacientes respondam aos protocolos. Preocupada também com essa questão, a Agency for Healthcare Research and Quality americana organizou uma comissão para examinar a eficácia dos três tipos de tratamentos mais populares: a terapia comportamental, as drogas antidepressivas e antipsicóticas, e uma enzima chamada secretina. Os pesquisadores concluíram que a enzima definitivamente não funciona no autismo. Já as drogas antipsicóticas, chamadas “tranqüilizantes maiores”, podem ajudar em comportamentos disruptivos como as autolesões, mas causam efeitos colaterais indesejados, a exemplo do ganho de peso. Em casos extremos, essas medicações podem acalmar suficientemente a criança a ponto dela poder acompanhar as aulas ou a terapia comportamental. Mas as drogas não funcionam nos principais problemas que apresenta o autista, como a dificuldade de comunicação e a socialização. A revisão dos estudos também mostrou que a terapia comportamental, nomeadamente a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), em uma freqüência intensiva de 30 hs semanais, expande o vocabulário da criança, aumentando suas habilidades de comunicação e melhorando seus escores nos testes de inteligência. Essas são constatações relevantes, posto que muitos doutores chegaram a afirmar que não havia muita esperança na melhora do quadro. O relatório é finalizado com a afirmação de que futuramente novas técnicas poderão facilitar o diagnóstico do autismo. Tratamentos baseados no crescente conhecimento a respeito da genética serão também bem vindos. Mas o relatório esqueceu de mencionar os avanços da ciência comportamental. O que vem por aí? A tecnologia comportamental relacionada aos processos de ensino e aprendizagem da linguagem em autistas deverá avançar ainda mais com as pesquisas sobre o comportamento verbal. Fonte: Associação Americana de Psicologia (APA)
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Corrida e Caminhada pelo Autismo |
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Escrito por Paulo Abreu
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Ter, 29 de Março de 2011 21:25 |
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Terapia Comportamental Contemporânea: Sobre os Novos Nomes |
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Escrito por Paulo Abreu
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Sáb, 12 de Março de 2011 09:26 |
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A terapia comportamental nas suas vertentes "mais genéricas" pode ser descrita a partir de diferentes pontos de partida. Muitos de seus pressupostos derivam da Análise Experimental do Comportamento (AEC) e outros das teorias e terapias cognitivas. Ela passou por três ondas diferentes ao longo da história. Na primeira (décadas de 50 a 70) foi chamada de Modificação do Comportamento pelo fato dos terapeutas priorizarem alguns poucos princípios do comportamento respondente e operante, trabalhando com comportamentos muito específicos em ambientes bastante controlados, a exemplo da exposição simples no tratamento de fobias específicas e do transtorno obsessivo-compulsivo. Na segunda (final da década de 60 a 90) foi desenvolvida a Terapia Racional Emotiva, a Terapia Cognitiva e a Terapia Cognitivo-Comportamental. Nesse momento ocorreu um salto nas publicações com dados de pesquisa que atestavam a sua eficácia no tratamento dos mais diversos transtornos, como na depressão e na ansiedade. Na terceira onda (final da década de 80 até o presente momento) as aplicações respaldadas nos princípios de aprendizagem da AEC foram revisitadas, e um novo conceito, a “aceitação emocional”, foi definitivamente introduzido ao arsenal clínico dos terapeutas. Assim diversas formas de terapia foram idealizadas e avaliadas, dentre elas, a Terapia Comportamental Dialética (DBT), a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a Ativação Comportamental (BA) e a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP). Em comum, observa-se nelas uma atenção especial às propriedades funcionais da linguagem e da cognição do cliente e do terapeuta dentro do consultório. Dito de outra forma, nas análises funcionais da linguagem os terapeutas investigam os fatores contextuais relacionados ao comportamento verbal. Nesse ponto a terceira onda difere das teorias de "distorção do pensamentos" contidas nas concepções cognitivas tradicionais. Para o terapeuta passa a interessar menos o conteúdo daquilo que é dito, e mais as condições contextuais (sobretudo sociais) sob as quais as verbalizações ocorrem. Desde que foi criada, a terceira onda de terapias tem recebido diferentes denominações. As mais comuns são Análise Comportamental Clínica, utilizada em países de língua inglesa, e Terapia Analítico-Comportamental, usada sobretudo no Brasil. Contudo, tem sido bastante comum também o termo cognitivo-comportamental, pois em muitos artigos, os autores dizem ser legítimo o fato de sua teoria trabalhar com a cognição e a emoção, ainda que o modelo não seja cognitivo no sentido de processamento de informações
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Escrito por Paulo Abreu
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Seg, 21 de Fevereiro de 2011 13:36 |
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Comportamento é comportamento. Não é óbvio? A resposta é não. Em se tratando de ciência, pode existir uma complexidade no que o senso comum entende como sendo o óbvio. Mas antes de responder a essa pergunta, creio que seria igualmente produtivo começar com um pequeno faz de conta. Imagine que no tempo de Alexander Graham Bell, tido por muitos como o inventor do telefone, alguém lhe apresentasse um smartphone. Para Graham Bell, a partir do que o seu tempo lhe permitiria, talvez não fosse possível chamar um IPhone de telefone, ao menos não na concepção da palavra. Os paradigmas são outros. Lembre-se de que o conceito de aparelho telefone daquela época tinha como única caracterização o fazer e receber chamadas. Até o presente momento é possível tirar fotos com um smartphone, agendar compromissos, controlar gastos, fazer cálculos, jogar, pagar uma conta ou fazer uma conferência com muitas pessoas. Ambos os aparelhos, antigo e novo, poderiam ser definidos como sendo telefone, mas isso é particularmente verdade para nós que vivemos em 2011. Vamos aos conceitos da psicologia. A psicologia tradicional e a psiquitria concebem uma divisão arbitrária entre mente e corpo, entendendo o comportamento como sendo apenas nossas ações públicas, passíveis de serem observadas pelo outro. Já os pensamentos e sentimentos seriam outra coisa, algo mais nobre. Daí a necessidade da criação de uma mente - a mente seria a causa dos pensamentos e das emoções, um lócus priveligiado. Mas acredite, a mente é formada por algum “estofo/substância” ainda não explicado cientificamente. Ela continua sendo apenas um conceito, não algo que exista de fato na natureza. Nesse sentido arbitrário, o emocionar, o sentir, o pensar, imaginar, resolver problemas ou tomar decisões, não seriam comportamentos. Isso ocorre porque somente a pessoa teria acesso as suas reações privadas e ninguém mais. Essa explicação de comportamento equivale a um telefone comum. Mas claro, ainda assim ela continua sendo um telefone que faz ligações. Vamos agora para a definição de comportamento na Psicologia Comportamental ou Análise do Comportamento. Para ela, comportamento é a relação do indivíduo com o seu mundo. Nessa relação o indivíduo modifica o seu ambiente e é por ele modificado. Essa relação de interação, entre comportamento e o ambiente em que ele ocorre, é o que concede à ciência comportamental seu caráter contextual de análise. Nesse sentido dizemos que o comportamento é função de sua relação com o contexto, presente e passado. Interessa a história genética da espécie, a história pessoal da pessoa que se comporta e a cultura em que esta se encontra. Dentro dessa concepção, o pensamento e os sentimentos também seriam comportamentos pois eles são nossas interações com o mundo. Mas permita-me exemplificar melhor. Imagine que estou triste em meio a um café, quando me assolam alguns pensamentos referentes a um episódio de briga com meu melhor amigo. Um colega poderia me perguntar “por que você está tão quieto?”, e eu facilmente lhe responderia “porque estou lembrando da briga que tive com fulano”. Mas a despeito dessa explicação ser uma usual que damos no nosso dia a dia, seria talvez mais produtivo perguntar, “o que levou você a ter esses pensamentos?”. E a resposta, esta, retornaria nossa atenção para a minha relação de interação com o mundo – "tenho brigado muito com meu amigo". Essa concepção mais ampla de comportamento dá a oportunidade única para que possamos intervir em nosso mundo. Para mudar os pensamentos e sentimentos negativos, eu poderia tentar não pensar no problema, ou vê-lo sobre outro "ponto de vista". Mas o alcance disso é pequeno, vide a limitação dos livros de auto-ajuda. Mais efetivo seria eu resolver minhas pendências diretamente com o meu amigo. Se eu tiver sucesso em fazê-lo, então talvez eu tenha outros pensamentos com relação ao amigo, e sentimentos muito mais nobres. Em síntese, os sentimentos e pensamentos não acontecem no vácuo. Não é difícil entender o comportamento público ou privado como sendo a relação do indivíduo com o seu ambiente, assim como não é difícil para nós entender que um smartphone envolve muito mais que um telefone do Graham Bell.
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